Este lado que encanta e é enaltecido por poetas e artistas ao longo dos séculos.
Antes de uma forma mais rebuscada, discreta e agora, um tanto escancarada.
Mudam-se as palavras mas, sempre se buscou, impressionar e conquistar.
O lado poético coloca a mulher no pedestal, em condição inalcançável. O poeta busca mostrar que, se ela puder notá-lo, encontrará muito mais do que belas palavras: encontrará amor, prazer, devoção.
Só que a descrição poética esbarra numa realidade bem diferente.
Me permito fazer uma reflexão.
Já me vi como a mulher delicada que recebia todas as atenções. Que era interessante e deseja. Que recebia a atenção de rapazes incríveis e que sonhava em ser independente.
Estudei, trabalhei, desafiei paradigmas. Construí uma carreira tendo que me estabelecer em um ambiente machista e crítico.
Acreditei nos valores de minha criação. Me estabeleci como uma mulher forte que não precisa ceder à caprichos machistas.
Pretendi dar o exemplo do que o trabalho árduo é capaz.
Quando me aposentei, decidi que iria ajudar. De outras maneiras. Não mais me expondo e os trabalhos voluntários surgiram.
Hoje, quero destacar o trabalho em uma comunidade carente da cidade em que resido.
O que me chama mais atenção são as mulheres que ali se encontram.
São pessoas simples. Trabalharam a vida inteira de forma sofrida. Não riem muito. Observam muito.
Trabalharam a vida inteira, mesmo aposentadas, algumas trabalham ainda.
Trazem marcar da vida na face. Rugas e cabelos sem trato.
Querem estar ali para aprenderem e, quem sabe, ganhar mais algum dinheiro.
Deveriam estar por lazer mas, se ali estão, é porque ainda tem responsabilidades para com suas famílias.
Algumas delas, assumiram a criação dos netos por ausência de seus filhos.
É incrível como se fazem forte sem ter forças.
Eu as admiro.
As admiro pelas marcas do passado, pela resiliência do presente e pelos sonhos do futuro.
A essas mulheres, meu profundo respeito.